quarta-feira, 8 de abril de 2009

Astronauta de argila




E seus passos dão forma a minha constelação,eu vim do mesmo pó que você...A mesma migalha cósmica que insiste no além...Não importa a gravidade,não importa a velocidade,não importa o frio...
Porque as estrelhas brilham por você...
E toda vez que me abraça...O mundo escorre por mim.
Ampulheta do destino,o fascínio do menino em momento de ser Escultor da vida...Do castelo de areia,as janelas do além...além do céu,além do mar...alem de mim...de você...


A vida além da vida...O grande mistério...
A lua oculta,compõe novos tons.
Existe o que tecemos...Existe o que sonhamos...
Porque o céu é vivo,pulsa,gira...
E no sussurro das estrelas...


Elas existem em seu olhar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Do amor...

Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes.Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida,explicada, entendida, julgada.Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim,que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.O amor está em movimento eterno,em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido,a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor,não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.Não é meu coração que sente o amor,é a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.Ou melhor, só se Vive no amor.

E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.


(Paulinho Moska)